Não dá pra acreditar que já fazem quase 15 dias desde que voltamos pra casa. Na vigem, voltando, eu estava morrendo de saudades do nosso lar, mas foi chegar em casa ver que estava tudo bem, que a vontade de pegar a Lola e sair dirigindo por aí bateu forte de novo. Claro que depois de tanta aventura teremos que esperar mais um tempo até a próxima viagem.
É muito difícil voltar a vida normal, meu corpo e minha mente já estavam mais que acostumados a dirigir pra cacete e conhecer novos lugares. Dormir na Bolívia e acordar no Peru, fazer auditoria dos gastos de hospedagem, gasolina e alimentação do dia, organizar o roteiro do dia seguinte, passar nervoso nas fronteiras, era bom demais kkkk
Dias passados a viagem, agora numa nova rotina, conseguimos analisar melhor como foi nossa experiência.

O primeiro impacto que tivemos foi o econômico, muito estranho (e triste) ver como ainda vivem alguns povos na Bolívia, por exemplo, afastados de tudo, sem poder escolher uma vida diferente, sem acesso a informação, serviços básicos. Ou não captamos o que de fato passa ali, ou é muita judiação fazer isso com um povo. Alguns lugares da América do Sul seguem isolados como há 500 anos atrás. Enquanto o Brasil parece uma fazenda sem fim, com uma indústria depois da outra como no Paraná. Passei a valorizar muito o que temos aqui, sei que sou privilegiada por crescer na maior cidade do país e que de certa forma tudo é mais fácil nas metrópoles, e que há muitos lugares do Brasil que devem viver na mesma precariedade, mas o Brasil está muito mais organizado, no geral, que boa parte dos demais países que estivemos, na minha opinião. Então gratidão por ser BR!
Outro sentimento que fica é a saudade do encanto selvagem dos Andes e do seu povo tão amável. As paisagens naturalmente místicas, os animais livres no campo, as montanhas, as cachoeiras, as termas, os vulcões. A história do nosso continente de uma sociedade antiga, tão inteligente e perfeccionista, tão esforçada, tão devota aos deuses da natureza. E nós pudemos andar por lá, ver de perto e até tocar nesse passado glorioso. Foi maravilhoso e a saudade bate demais. Eu tenho muito orgulho do passado indígena do nosso continente, queria que houvessem mais pesquisas e sobre os indígenas brasileiros e que nossa cultura fosse mais resgatada e principalmente preservada.
Por fim pudemos nos descobrir melhor também, quanto alguns pontos como, nós não nascemos para o off road, definitivamente em Polques isso ficou claro. Estradas que poderiam encher de alegria o coração de um aventureiro em mim resultaram quase que em um ataque cardíaco! Mas não é porque não gosto de estrada que deixo que gostar de acampar, muito pelo contrário, nos encontramos no camping o nosso meio preferido de hospedagem. Acampar é estar imerso na natureza, acordar com o sol na barraca, preparar seu café, com calma. Cuidar da barraca, planejar os roteiros, manter tudo organizado, conhecer pessoas é um prazer pra gente, muito melhor que estar fechado num quarto de hotel buscando no Ifood um restaurante pra comer.
Agora em casa, nós estamos procurando emprego em Floripa, essa rotina de mandar cvs, fazer entrevistas (não passar), e ficar horas no LinkedIn é um banho de água fria e um choque de realidade pra quem vinha vivendo um sonho. Mas só conseguindo um trabalho pra juntar grana que é possível realizar esses sonhos tão intensos, então é o que hay.
Outra novidade é que colocamos a venda a nossa Lola Guerreira, não temos condições de manter um carro 2.0 ainda mais com a gasolina a 10 Reais. Essa semana deixamos a Lola na Soraya Veículos em Floripa. Quem tiver interesse em ter um carro que te salva a vida da uma conferida lá, todo leitor desse blog sabe o quanto esse carro foi excelente na nossa viagem. Lola Duster é pau pra toda obra, por isso da muita saudade não ter ela mais na nossa garagem. Só espero que quem a pegue se divirta muito com ela, porque essa maluca adora um off road. Assim que possível vou voltar a ter uma Duster, Renault na minha opinião é muito confiável, aguenta tudo.
Mesmo sem o 4×4 os planos de viagem seguem em ordem. Vamos colocar o bagageiro no Clio (Jay Clio, para os íntimos) e continuar viajando por aí. Toda aventura seguirá sendo registrada por aqui. Queremos voltar na Argentina, que lugar gostoso e cheio de coisas ainda pra conhecer. Quem sabe uma trip Uruguai – Argentina? Outra viagem que sonhamos em fazer é pela BR101, claro! Conhecer todo o litoral do Brasil de Norte a Sul. Algum lugar IMPERDÍVEL que não podemos deixar de passar nesses destinos? Deixa sua dica pra gente.
